15 de Fevereiro – 01:37h
Acordámos naturalmente às 4:00h,finalmente no dia em que tinhamos de facto que acordar perto dessa hora. A semana que acabou foi provavelmente a semana mais stressante dos últimos tempos. Incontáveis, intermináveis problemas e desafios que apareceram. Os preparativos da viagem que não acabavam. O stress acumulado que nos desordenou o sono ao ponto de passarmos toda a semana com insónias.
Bom, finalmente é dia 14 de Fevereiro, o despertador ainda não tocou mas falta só uma hora. A sensação de deixarmos o Gandhi 1 mês sozinho parte-nos o coração. Ele não faz ideia mas sente o stress em que estamos, a preparação de malas e de combinações onde ele não está incluído e a nós isso custa-nos. Banho tomado, malas fechadas, passaporte, carteira, cartões, tudo guardado, o taxi chegou. A viagem à Índia acaba de começar.
Chegámos ao aeroporto às 06:30h como combinado. Encontramos a P. assim que saímos do taxi, com um sorriso na cara e óptima disposição. Está imenso frio. Entramos. Vamos fazer o check-in, tomar o pequeno-almoço, não tarda estamos em Madrid. Tomo 3 Valdispers – para não ser consumida pela ansiedade do voo. Por sorte a Teresa e eu ficamos nos lugares da frente junto à hospedeira e comissário de bordo. A conversa deles é animada. Um deles foi chamado por uma senhora que com algum receio perguntava “estes barulhos são normais?” eles riam entre eles mas para mim aquela pergunta fazia tanto sentido. Não é possível tanto plástico a bater. Da pergunta da senhora a conversa dos dois descambou para os sustos que já tinham apanhado em aviões e aí a Teresa não aguentou e disse-lhes “Desculpem, ela tem imenso medo e a vossa conversa não está a ajudar nada. Dá para falarem de outra coisa?!” Eles riram-se e começámos a falar sobre isso. Aviões, medos, fobias, etc. A calma, naturalidade e normalidade na atitude deles fez-me ter quase vergonha do meu pânico e interiormente decidi que não era possível começar este mês intenso de 12 viagens de avião pela frente consumida pelo pânico horroroso com que tenho lidado com aviões. Não vou ter medo. Não faz sentido. Acidente é isso mesmo, um acidente, não há nada que eu possa fazer. A estatística diz-me que é mais provável ter um acidente de carro e eu de carro não tenho medo, isto é tudo psicológico, o medo come a alma e eu quero a minha intacta. Acabou.
Em Madrid a estadia foi curta. Deu para almoçar, para nos enganarmos no terminal e fazermos o mesmo caminho de autocarro 2 vezes. O resto do tempo foi em check-ins, abrir e fechar malas, fotografias da P., ler e avião. A experiência da Swiss Air. Não sei se estava sugestionada pela decisão anterior mas entrei no avião da Swiss Air (que mudou de nome para Swiss mas a mim ainda não me apetece) e tive uma sensação que não tinha desde há muito tempo. Sensação de Segurança. O avião com óptimo aspecto, a tripulação também com ar experiente e competente. Os plásticos não batem ainda por cima. Que bom. E com esse pensamento e o imenso sono do cansaço já a pesar, adormeci ao colo da Teresa nas 3 cadeiras a que tivemos direito. Acordo em sobressalto, o que em mim é o prato do dia e é-nos servida uma maravilhosa sandes de atum e sumo de laranja. O século XXI para além da insegurança nos aviões trouxe-nos o fim do luxo que significava andar de avião. Comer uma boa refeição a bordo e aqui estava ela de volta. Para melhorar ainda mais a boa onda do voo, a Teresa abre a janela e vemos a paisagem mais espectacular que já vi de um avião. Os Alpes Suiços cobertos de neve. Lindos. Um sol radioso e nuvens muito abaixo da altura das montanhas. Lindo, lindo, lindo. Juntámo-nos ao B. e à P. para juntos vermos aquela maravilha da natureza. Chegámos a Zurique às 05h00. As malas grandes vão directas para Bombaím, temos só as mochilas connosco. Estão -10ºC, vestimos todas as camisolas que tínhamos. São poucas. Está um frio de rachar. Na mesma, investimos num cacifo que nos tira o peso dos ombros, literalmente e vamos até ao centro da cidade, conhecer, ver neve, beber um chocolate quente. Apanhamos o comboio para Zurich HB e decoramos que aeroporto se diz – Flughafen, para podermos voltar. Os Suiços não primam pela simpatia, nem pelo inglês. Não é fácil, mas lá conseguimos.
Horas mais tarde, de volta ao Flughafen, procuramos o melhor sítio para nos instalarmos. Cadeiras confortáveis num qualquer sítio quente. Com ajuda de um senhor das limpezas, descobrimos os sofás da starbucks. Vazios, confortáveis, quentes, só para nós. A noite é tão comprida. Durmo, acordo, volto a adormecer, a acordar e ainda são 02h00 da manhã. Sem-abrigo locais fazem o mesmo que nós e vagueiam pelo aeroporto. O melhor aeroporto para dormir, a alterar apenas a música que está demasiado alta e a luz que já desaparecia.
Faltam 5 horas para o check-in, pequeno-almoço e o voo da Swiss Air com destino a Bombaím onde chegaremos à noite.